Resenha – 1983: O Ano dos Videogames no Brasil.

Por Everton Padilha Gomes.

Como você acha que daqui a 50 anos vão analisar a nossa sociedade? Nossa maneira de ser, de viver? Situações que hoje parecem perfeitamente normais, mas que dentro de algum tempo parecerão pitorescas e até sem sentido?

Neste tipo de análise, existem dois tipos de narrativas: A primeira é aquela em que o autor relata o passado, a partir da perspectiva mais atual, aplicando inclusive os valores morais do “agora”. Essa abordagem, embora encampada por vários autores, falha em visualizar adequadamente o “momento” que relata, e, muitas vezes, se perde dentro da própria perspectiva filosófica do narrador.

O outro tipo de relato é aquele que de maneira direta, o narrador expõe o momento, suas nuances, e, pela própria narrativa, permite ao leitor que chegue às suas conclusões. Este tipo de narrativa, para ter sucesso, depende em grande parte do estilo literário do escritor, e da habilidade do mesmo em transmitir sua mensagem.

Neste aspecto, digno de nota é o livro “1983: O ano dos videogames no Brasil”. O autor, Marcus Chiado, entusiasta e grande conhecedor do assunto, de modo muito feliz, permite ao leitor que faça uma imersão no período de inserção dos videogames, ou “videojogos”, como alguns à época se referiam àquele novo segmento eletrônico.

Ele, de modo bem detalhado, porém com uma narrativa muito dinâmica, transcorre pela reação da sociedade, empresários e aceitação popular.

O livro prima por ser bem embasado, repleto de referências bibliográficas. É ricamente ilustrado, e enfaticamente embasado nos produtos nacionais, em um nível raramente visto em um trabalho do gênero. Chiado não se contentou somente em fazer um simples garimpo de dados publicados. É fascinante ver os relatos de alguns pioneiros que o autor entrevistou, como Ralph Bauer, idealizador do Odyssey, ou empresários da época. E como o trabalho de um verdadeiro garimpeiro, encontramos algumas pérolas que são instrutivas aos mais novos, e que remetem a ótimas lembranças aos mais velhos.

Se há alguma observação a ser feita sobre este trabalho, é que o mesmo deixe aquela vontade latente de continuar lendo sobre a história dos videogames, e o seu impacto na sociedade brasileira.

1983: O ano dos videogames no Brasil – é leitura obrigatória a todos aqueles que tenham interesse em entender os primeiros movimentos da moderna indústria de eletrônicos no país, ou que tenham o interesse saudosista de relembrar o frenesi de uma novidade tecnológica tão impactante em nosso país, que afetou as mais diversas classes sociais, como o videogame.

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